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04 febrero 2010

4 de Fevereiro em Angola

Celebra-se hoje, 4 de Fevereiro de 2010, o quadragésimo nono aniversário do início da Luta Armada de Libertação Nacional, que constituiu um importante marco na derradeira etapa de resistência ao regime colonial e um indelével contributo para a conquista da Independência de Angola.


Hoje em M'banza Congo têm lugar os actos oficiais comemorativos do dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional. Presidirá ao acto o rcém nomeado Ministro de Estado Manuel Nunes Júnior, que representará o Sr. Presidente da República.
Para além da habitual deposição de coroa de flores no Tumúlo do Soldado Desconhecido, seguir-se-ão uma série de inaugurações, nomeadamente da Escola Superior Politecnica, afecta à Universidade 11 de Novembro, da Estação dos Correios, da Casa Protocolar do Govern Civil da Província do Zaire, etc.
As actividades políticas têm vindo a decorrrer ao longo da semana e o tema foi: Em Memória dos Heróis, Mais Eficácia, Rigor e Responsabilidade.

30 diciembre 2008

Escritores Angolanos - Jacinto Lemos

Jacinto de Lemos conta neste seu novo livro, “Chico Nhô”, histórias de lutadores e as suas vivências nos musseques luandenses no período colonial.
Em 771 páginas, Jacinto de Lemos narra histórias de lutas daqueles tempos, nos musseques, onde “Chico Nhô” (senhor Chico, em português), um pessoa bué porreira, é a personagem principal.
Na época, a maioria das pessoas usava a feitiçaria para confrontar os seus adversários de luta. Mas, “Chico Nhô”, que herdara o espírito do seu bisavô chamado Kakoba, não tinha matiti (feitiço de lutar). Na hora da luta, o espírito do bisavô colocava-lhe nas mãos uma faca, que usava como defesa pessoal. “Mas esse spírito não dimorou. Bem dizer, Chico parou de lutar cedo, porque o spírito quando lhi vinha, fazia firimento fundo de criar maka grande no bairro, como aquela maka que lhi provocou disgosto, por lhi curparem que matou o Mané Canhoto”, conta o autor.
Se fala também de grandes lutadores do passado como Luís Cafrique, Fernando Maiombola, Mantiamba e Mané Canhoto, um malanjino perigoso nas kíbuas (quedas). Ninguém lhe chegava ali nos musseques, nem mesmo o Fermando Maiombola, famoso rei das kíbuas, “se lhe pôdeu”.
O livro editado em Cabo Verde, pela Gráfica da Praia Limitada, teve uma tiragem de três mil exemplares, do quais 1.000 estão a ser comercializados em Luanda, numa primeira fase no Bazar da LAC.
A obra vai estar à venda na Tenda das Letras, nos próximos dias 10 e 11 de Janeiro de 2009, no Largo da Independência, alusiva ao 8 de Janeiro, “Dia da Cultura Nacional”. Ainda no âmbito do “Dia da Cultura Nacional” e do “Dia do Município do Cazenga”, o livro é apresentado no dia 10 de Janeiro de 2009, no Marco Histórico do 4 de Fevereiro, por Jomo Fortunato.
Jacinto de Lemos nasceu em Icolo e Bengo a 1 de Janeiro de 1961. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Publicou “Undengue” (1989) pela União dos Escritores Angolanos (UEA), que lhe mereceu uma menção honrosa no Concurso Sonangol de Literatura, em 1986; “O Pano Preto da Velha Mabunda” (1997), editado pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), e “A Dívida da Peixeira”, que mereceu o Grande Prémio Sonangol de Literatura, no ano 2001.Pensar e Falar Angola

30 agosto 2008

MARIO PINTO DE ANDRADE: O REGRESSO DA MEMORIA


Inspirado em Koluki: MARIO PINTO DE ANDRADE: O REGRESSO DA MEMORIA

SOU, ASSIM, UM AFRICANO DE ANGOLA
"É justamente porque nasci em Angola, país africano em que vivi e aprendi a conhecer a realidade colonial, que afirmo e defendo a minha angolanidade. E sobretudo: ajudei e continuo a ajudar, na medida das minhas capacidades intelectuais, a fazer respeitar internacionalmente o direito do povo angolano a dispor de si próprio."

10 enero 2008

palavras de silÊncio

Aqui estou na procura de palavras que estão em toda a parte. Até a opinião dos mudos é transmitida por palavras. A escuridão, o silêncio, a tristeza, a alegria, o novo e o velho, tudo é descrito em palavras. E eu procuro as palavras. As que não foram ditas por ninguém, as que não se perderam nas florestas políticas, as que não se afogaram em promessas, as que não se estrangularam em opressões mentais. Procuro palavras para ilustrar as minhas ilusões, para decorar as minhas fantasias e descreve-las com gestos de minhas mãos. Procuro palavras entendíveis na margem dos pensamentos, nos calabouços da indiferença, nas prateleiras da desconsideração. Procuro palavras simples que tenham a solução. Como não encontro palavras livres hoje remeto-me ao silêncio.

Sanzalando

08 enero 2008

Um Escritor Angolano (6) - Timóteo Ulika

Timóteo Ulika, pseudónimo literário do historiador Cornélio Kaley, nasceu a 8 de Dezembro de 1944 no actual Município do Bailundo. Fez os estudos primários na Missão Evangélica do Bailundo. No Liceu do Huambo, antiga cidade colonial de Nova Lisboa, iniciou os estudos secundários que viria prosseguir em Luanda no Liceu Salvador Correia. Em 1969 ingressou no curso de História da Faculdade de Letras do Lubango que concluiria anos mais tarde na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. É Mestre em Estudos Africanos pelo ISCTE de Lisboa, tendo consagrado o seu trabalho de tese à problemática da produção petrolífera no quadro geral da economia de Angola. Pela sua idade e experiência, Timóteo Ulika pertencerá certamente à geração literária de 70. Embora se revele tardiamente com obra publicada, este autor coloca-se ao lado daqueles ficcionistas que enriquecem a estrutura da narrativa angolana, ao trazer para a ficção literária uma focalização e um ponto de vista, todos eles positivos sobre outros espaços físicos, tipos de personagens e psicologias, nomeadamente a região planáltica, as personagens que povoam o mundo rural, seus saberes e filosofias veiculados em língua Umbundu, situações e discursos que funcionam em contextos de comunicação predominantemente oral.
É membro da União dos Escritores Angolanos.
Publicou A Rola de Tchingandu ( INALD,1988), Os Petróleos e a Problemática do Desenvolvimento em Angola: Uma visão histórico-económica (1996), Kandundu (2000)
Pensar e Falar Angola

28 diciembre 2007

Eleições em Angola

Eleições legislativas marcadas para 5 e 6 de Setembro de 2008 Lusa
As eleições legislativas em Angola foram marcadas para 5 e 6 de Setembro de 2008, anunciou o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na sua mensagem de Ano Novo.
“A vontade do povo angolano deve exprimir-se com verdade e sem limitações nos dias 5 e 6 do mês de Setembro de 2008, nas eleições legislativas que serão oportunamente convocadas”, precisou o estadista, na habitual mensagem à Nação por ocasião do fim de ano. O Chefe de Estado angolano referiu que o exercício de voto é um processo que vai aprofundar o sistema democrático no país e permitir que ele (sistema) funcione normalmente. Com efeito, frisou que as próximas eleições devem ser realizadas num clima de paz, harmonia e fraternidade entre todos os angolanos, sem recurso à violência verbal ou física, mas na base da tolerância e respeito pela opinião e ideias alheias. Para tal, José Eduardo dos Santos disse ser fundamental que a segurança dos cidadãos e a protecção dos seus bens esteja completamente garantida pela Polícia Nacional, como garante da ordem. Segundo o estadista, a ordem pública é uma condição indispensável para que os cidadãos se sintam tranquilos e possam viver sem quaisquer constrangimentos nem receios e exercer os seus direitos e cumprir os deveres. Nesta perspectiva, o mais alto mandatário da Nação angolana precisou que a Polícia Nacional, como garante dessa ordem, tem de dar o exemplo, devendo os seus quadros e agentes pautar a sua conduta pelo respeito pela vida humana e pela propriedade pública e privada. “Só assim esta corporação corresponderá às expectativas de todo o povo angolano”, sublinhou Eduardo dos Santos, apelando à sociedade a estar sintonizada com o momento que o país vive, caracterizado de esperança e de grande confiança no futuro. Esta será a segunda vez que terá lugar em Angola uma escolha popular. As primeiras eleições legislativas tiveram lugar em 29 e 30 de Setembro de 1992. Recorde-se que as primeiras eleições gerais em Angola realizaram em 1992 com a participação de 18 partidos, ao passo que onze candidatos concorreram às presidenciais.

06 diciembre 2007

O paradoxo da abundância (*)


Os Bispos angolanos fazem, pois, um apelo para uma gestão económica mais aberta e, também, mais transparente. Recordo que a falta de transparência e a má governação são focados como características dos países onde se verifica o «Paradoxo da Abundância»

Justino Pinto de Andrade

Em 2006, na sua II Assembleia Anual, a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (Ceast) produziu uma Mensagem Pastoral onde dizia: «Os abundantes rendimentos colhidos através dos recursos naturais que Deus outorgou ao povo angolano devem ser universalmente utilizados no combate à pobreza e à miséria de tantos irmãos, acabando com o escândalo do paradoxo da abundância». O «Paradoxo da Abundância» é uma expressão que ilustra o comportamento algo errático, do ponto de vista económico e social, dos países dependentes dos recursos naturais. Eles têm, normalmente, um desempenho económico irregular, grandes níveis de pobreza e desigualdades económicas, enormes injustiças sociais, violência e muitos conflitos. São, também, países onde se verificam elevados de corrupção, má governação e falta de transparência. Infelizmente, a situação presente em Angola não foge muito deste quadro. Num relatório datado do ano de 2006, o Banco Mundial atribuiu ao chamado «Paradoxo da Abundância» a razão da existência de 68% de pobres entre a população angolana, resultado de um inquérito aos agregados familiares, no ano de 2001, sobre as despesas e receitas da população. O Banco Mundial atribuiu ao «Paradoxo da Abundância», o facto do «Coeficiente de Gini» ter piorado entre 1995 e 2000, passando de 0,54 a 0,62, o que indiciava um agravamento na distribuição do Rendimento Nacional. Contudo, o actual Ministro angolano da Finanças, José Pedro de Morais, não é dessa opinião. Numa intervenção que fez na Universidade Lusíada de Angola, no ano de 2006, José Pedro de Morais disse não concordar com a avaliação então feita pelo Banco Mundial. Para o nosso Ministro, tudo isso se deveria, sim, praticamente, ao agravamento da guerra. A questão que eu coloco agora é que, em 2005, o «Coeficiente de Gini» era já de 0,64, evidenciando um claro agravamento da desigualdade na distribuição do rendimento, num período já sem guerra. A guerra terminou em 2002. Pelo menos, no que diz respeito às desigualdades económicas, o Banco Mundial tinha razão. Haviam, então, decorridos três anos, desde que cessaram os combates entre as tropas do governo e a Unita. É um facto que, desde 2002, a economia angolana tem estado a crescer a ritmos bastante elevados, fazendo-o, porém, a taxas bastante irregulares, como veremos: ANO TAXA DE CRESCIMENTO DO PIB 2002 13,3% 2003 5,6% 2004 11,3% 2005 20,6% 2006 18,6% A economia cresce todos os anos, as de um modo irregular, pois ela depende demasiado da evolução dos preços do petróleo e também do ritmo com que entram em exploração novos campos deste recurso. Este é mais um ponto a favor do que foi postulado pelo BM. Somos, efectivamente, um dos países que mais cresce em todo o mundo. Em África, em termos de taxa de crescimento anual do PIB, supera-nos, apenas, a Guiné-Equatorial, um outro país também recentemente entrado no clube dos países africanos produtores de petróleo. Este país cresceu, no ano de 2006, a uma taxa superior aos 30%. Desde que a guerra terminou, a evolução dos rendimentos fiscais do tem sido impressionante: ANO RENDIMENTOS FISCAIS DO PETRÓLEO (Milhões de Usd) 2002 3.000 2003 3.700 2004 5.700 2005 10.500 2006 17.000 2011 40.000 (previsão) A partir de 2004, verifica-se uma arrecadação extraordinária de receita petrolífera, fruto da subida inesperada dos preços do petróleo. Num «workshop» sobre a gestão dos rendimentos do petróleo, realizado em Maio de 2006, entre o Ministério angolano das Finanças e o Banco Mundial, aventou-se a hipótese de os mesmos rendimentos virem a crescer de um modo vertiginoso, ao ponto de, em 2011, poderem atingir a cifra de Usd 40 mil milhões. Estamos, pois, a falar de valores fornecidos por fontes oficiais. Porém, existem fundadas dúvidas sobre a sua veracidade, uma vez que o Governo de Angola não aderiu à Campanha sobre a transparência na utilização dos fundos provenientes das Indústrias extractivas, guardando para si, a sete chaves, muita informação. Por isso mesmo, na Mensagem Pastoral da sua II Assembleia Anual, a Ceast declarou ainda: «As empresas petrolíferas devem partilhar da responsabilidade da transparência, publicando em Angola ou nos países de origem, não só os pagamentos que fazem ao governo, mas também as condições dos contratos que regulam as suas actividades”. Os Bispos angolanos fazem, pois, um apelo para uma gestão económica mais aberta e, também, mais transparente. Recordo que a falta de transparência e a má governação são focados como características dos países onde se verifica o “Paradoxo da Abundância”. Os indicadores sociais constantes de estudos realizados por fontes insuspeitas colocaram-nos no lugar número 160 na lista do Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD, entre 173 países. No último relatório, agora saído, e referente ao ano de 2005, descemos para o lugar 162, de entre 177 países. Estamos na cauda da tabela, não obstante todas as receitas petrolíferas, ordinárias e extraordinárias, e outras. A nossa taxa de mortalidade infantil (de 0 aos 5) está fixada em 250 crianças por 1000 nascimentos1. Quer dizer que 1 em cada 4 crianças que nascem em Angola morre antes de atingir os cinco anos de idade. Morre-se muito por paludismo, tuberculose, diarreias, cólera. Temos dos maiores índices de mortes maternas. São enormes as desigualdades e as disparidades sociais, com uma grande parte da nossa população a viver em extrema pobreza. Uma minoria insignificante de pessoas detém mais de 95% das riquezas do país. Este é ainda o “Paradoxo da Abundância”, que o Ministro das Finanças recusou para o caso de Angola. Acredito que ele aceite esta definição para outros países. Para Angola, José Pedro de Morais só viu o impacto da guerra, e nada mais. O Relatório Económico de Angola produzido no ano de 2006 pela Universidade Católica de Angola aponta para muito próximo dos 70% da população angolana a viver com menos de 2 dólares por dia2. Esses 70% dos angolanos são a parte da população que não tem energia eléctrica nem consome gás. A estes angolanos faltam os bens essenciais para a sua sobrevivência, nos domínios da educação, saúde, emprego, água, etc. A explicação deste fenómeno contraditório (grandes e crescentes receitas petrolíferas, e outras) reside, sobretudo, no seguinte: I) Ainda as sequelas da guerra, num país que ficou bastante desarticulado. Por exemplo, os campos foram abandonados por populações que deixaram as suas práticas tradicionais de produção e de subsistência, tendo-se concentrado na periferia, e até mesmo no centro das principais cidades; II) Políticas económicas erradas que se seguiram à independência. Deve-se a elas, em parte, pelo menos, a inoperatividade das antigas indústrias e outras actividades económicas; III) Direccionamento de volumosos recursos financeiros do Estado para alimentar o esforço de guerra, em detrimento dos sectores produtivos e dos sectores sociais; iv) Práticas de má governação e de corrupção – só não as vê, quem não quer. Resultado imediato: delapidação dos bens públicos, açambarcamento de uma parte importante dos rendimentos públicos, onerando os custos e tornando a economia ineficaz. Não existe uma informação muito segura sobre os rendimentos do sector diamantífero, o segundo sector produtivo mais importante de Angola, pelo menos como fonte de rendimento para o Estado. Hoje, é no sector diamantífero onde se realizam grande parte das actividades que têm permitido o enriquecimento muito rápido das figuras políticas civis e, também, militares. É aí onde está instalada a maior anarquia, com uma invasão silenciosa de aventureiros, quer angolanos, quer provenientes de diversas partes do mundo. A paz de 2002 funcionou como um verdadeiro “detonador” para o cometimento de todo o tipo de arbitrariedades, fazendo das áreas de exploração de diamantes aquelas onde tudo é possível. Lá, não só se violam flagrantemente os mais elementares direitos humanos, como, igualmente, se agride de forma atroz a natureza, desventrando-se os rios e tornando improdutivas as terras que seriam aráveis. Têm sido constantes as denúncias sobre assassinatos de gente envolvida no garimpo, levados a cabo por indivíduos ligados, sobretudo, às empresas de segurança. São vários os relatórios a denunciar essas situações, uns, no passado, da responsabilidade da «Open Society», e ultimamente confirmados por uma autoridade insuspeita como a Comissão das Nações Unidas sobre Prisões Arbitrárias, que recentemente visitou Angola e esteve na Província da Lunda Norte. A exploração da terra, na maior parte do país, começa a ser efectuada muito em desfavor dos seus proprietários tradicionais. Eles são agora desapossados em favor de gente que nada tem a ver com as localidades onde os camponeses sempre viveram, sobretudo, no sul de Angola. Os conflitos de terras são uma constante, o que só reforça a ideia de que a paz de modo algum se tornou sinónimo de justiça social, nem um impulso ao desenvolvimento. Haverá, sim, crescimento económico, porém, sem a participação das populações, e muito menos a favor delas: são cada vez mais excluídas. E tudo isto é feito sob o silêncio e a cumplicidade dos grandes interesses nacionais e, também, internacionais. É verdade que o «mundo do diamante» é feroz. Mas, é também verdade que o «mundo do petróleo» não o menos. Este chega até a ser mais cínico, porque parece mais selecto. Olhemos para a Região do Delta do Rio Níger. E porque não, também, para a Guerra do Iraque?

(*) Comunicação apresentada do dia 23 de Novembro, na Sociedade de Geografia de Lisboa, durante a Conferência «Perspectivas de Paz para Cabinda»

04 diciembre 2007

Um Escritor de Angola (5)- Amélia Dalomba

Amélia Dalomba, nasceu em Cabinda aos 23 de Novembro de 1961.


Tem exercido actividades profissionais em diversas áreas do jornalismo, nomeadamente radiofónico e de imprensa. Publicou poemas e artigos no Jornal de Angola. Presentemente prossegue os estudos superiores de Psicologia. É uma das poucas vozes femininas que no nosso meio literário demonstra um relevante interesse em trazer contribuições novas para a poesia angolana. A sua dicção poética insere-se, até este momento, numa das correntes visíveis entre os autores da Geração das Incertezas, a chamada Geração de 80. Tal tendência ou corrente manifesta-se através de um ostensivo tratamento estético da relação que se estebelece entre o homem e a mulher. Nota-se o recurso a um despojamento vocabular denso do ponto de vista semântico, resultando daí aquilo a que poderia denominar uma poética corporal.



Sobre a poesia desta autora, Manuel Rui diz: "No sentir, o laboratório dos sentidos para escrita, percebe-se à primeira vista, que é mesmo feminino". Amélia Dalomba é membro da União dos Escritores Angolanos em cujos corpos gerentes tem ocupado diversos cargos.
Publicou: Ânsia (1995) e Sacrossanto Refúgio (1996)

http://www.nexus.ao/kandjimbo/dalomba.htm






28 noviembre 2007

Um Escritor de Angola (4)- Frederico Ningi

Frederico Ningi nasceu em Benguela a 17 de Fevereiro de 1959.

Fez os estudos primários e secundários na cidade natal e em Luanda realizou estudos de jornalismo.

Presentemente é assistente de comunicação e imagem da Sonangol Aeronáutica. Filho de pais tocoístas, sobre os quais se abateu a restrição de liberdade religiosa na década de 60, cedo começou a ler Bíblia nas versões em Umbundu e Português, tendo-se tornado na adolescência leitor assíduo da literaturta espiritual oriental e praticante de yoga.
Enquanto poeta integra uma das quatro tendências em que podemos analisar a poesia da geração de 80.

Faz parte daquele grupo de poetas iconoclastas, que além de perturbarem a estrutura morfológica das letras e palavras com o jogo de maiúsculas, a presença de termos em línguas nacionais, introduzem uma ordem visual nos seus textos,produzindo um resultado surpreendente na combinação de fotografia, grafismo monocromático e gravuras de tratamento informático.
Dedica-se igualmente à fotografia cuja actividade desenvolve de modo quase profissional.

É membro da União dos Escritores Angolanos e da União dos Artistas Plásticos.
Publicou: Os Címbalos dos Mudos (1994) e Infindos na Ondas (1998)
http://www.nexus.ao/kandjimbo/frederico.htm
As obras plásticas de Frederico Ningi










Pensar e Falar Angola

13 noviembre 2007

Um escritor de Angola (3) - Manuel Rui Monteiro

Manuel Rui Monteiro nasceu na cidade do Huambo em 1941. Fez os estudos primários e secundários no Huambo. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Publicou O Regresso Adiado, Memória de Mar, Sim, Camarada!, Quem me Dera ser Onda, Crónica de um Mujimbo, 1 Morto & Os Vivos, RioSeco, Da Palma da Mão.
A sua prosa ficção está profundamente marcada por preocupações estéticas de um realismo social que celebra o homem comum. Quando focaliza categorias de personagens da classe média, fá-lo para produzir caricaturas de comportamentos perversos. É aqui que este autor exibe a sua mestria no tratamento da sátira e da ironia. São recursos de grande eficácia no plano semântico-pragmático.
Isto é , no que diz respeito ao conjunto de significações que se lhes associam e ao modo como os leitores os interpretam.O que pode ser provado pelo número de edições e tiragens de Quem me Dera ser Onda, título que suscitou grande empatia do público leitor. É a história de um porco que habita um apartamento na companhia de uma família cujo chefe é Faustino. Da hilaridade ao patético, a presença do animal vai provocando uma série de transtornos aos moradores do prédio, muitos dos quais pautam a sua conduta por regras e valores de um mundo urbano que começa a ser outro, como é este o da domesticação de animais no espaço residencial para a satisfação das necessidades de consumo de carne. É uma sátira mordaz a respeito de fenómenos de mobilidade social de determinadas categorias, do mimetismo dos novos ricos, e do populismo político. O realismo social, a sátira e a ironia logram níveis de elaboração estética em RioSeco, um romance cuja história decorre numa ilha adjacente à parte continental de Luanda. Um casal de refugiados do sul e leste de Angola, em que o marido e a mulher pertencem a etnias diferentes, vai acoitar-se no mundo insular de pescadores pertencentes a uma outra etnia do norte. Tecem profundas relações sociais de solidariedade, e apesar das suas origens étnicas, acabam todos eles, por construir um mundo diferente em que procuram banir a violência que dilacera o continente. No plano da linguagem, Manuel Rui Monteiro experimenta o recurso à diglossia imprópria, através do qual os dircursos das personagens são impregnados de estruturas frásicas e semânticas que vazam das línguas autóctones e de uma psicologia equivalente. Não sendo ainda de desprezar a semântica do antropónimo de uma personagem feminina que é Noíto. Aqui vemos Manuel Rui lançar mão da memória que debita materiais para a ficção, pois trata-se de uma personagem que viveu no Huambo, afamada por ser uma grande quimbanda, ou seja, terapeuta tradicional a quem eram reconhecidos poderes do mundo intangível. E no romance Noíto é, no essencial, uma mulher capaz de decifrar os segredos da natureza e pressagiar infortúnios.
O escritor Manuel Rui Monteiro regressou na passada quarta-feira às bancas, com o lançamento do seu mais recente trabalho literário intitulado "Ombela", uma edição bilingue (umbundu e português), em acto que teve lugar na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda. Nesta obra, o autor de "Quem me dera ser Onda", traz a público 20 poemas compostos a partir de «um universo de sensações metafóricas e de feminilidade, cuja essência foi reconstituída do lado em que a palavra é uma gota simples do som da água.» O autor aposta nestes elementos de erotismo e fertilidade criativa para dar vida ao seu mais recente livro de poemas. Numa linguagem de exaltação ao Eu interior, o ‘Ombela’, que em português significa ‘Chuva’, é a reflexão do autor sobre a natureza humana, com particular destaque para a feminilidade, o amor e a relação a dois. Os poemas escritos por Manuel Rui em "Ombela" apresentam um mesmo ritual de arritmia e ressonância, que percorre a infinidade temporal da sua existência, particularmente enquanto entidade mítica e moralizante observadora do comportamento dos homens, emitindo conselhos e apologizando a liberdade das mulheres, a beleza e a alegria da vida. Com ilustração de capa de Manuel Franca e sob responsabilidade da UEA, Manuel Rui Monteiro vai colocar no mercado, nesta primeira fase, mil exemplares do "Ombela".
Com participação activa em diversas áreas (política, social, cívica e ensino), alia a prática da advocacia, que exerce em Luanda, à escrita. Detentor de uma abrangente e multifacetada obra, tem colaboração dispersa em diversos jornais e revistas, figura em antologias de ficção e de poesia. Alguns dos seus textos estão traduzidos em várias línguas. Membro fundador da UEA, Manuel Rui Monteiro é cronista, crítico e ensaísta.

11 noviembre 2007

32 Anos de Independência de Angola

Coloco aqui um pequeno vídeo (dividido em 3 partes) encontrado no YouTube sobre os 25 anos de Independência feito por uma cadeia brasileira de televisão

Parabens ANGOLA





08 noviembre 2007

Um escritor de Angola (2) - Ondjaki




Ondjaki nasceu em Luanda, em 1977.


Interessa-se pela interpretação teatral e pela pintura (duas exposições individuais, em Angola e no Brasil). Participou em antologias internacionais. Escreve para cinema e co-realizou um documentário sobre a cidade de Luanda (Oxalá cresçam Pitangas, 2006). É membro da União dos Escritores Angolanos. É licenciado em Sociologia. Recebeu no ano 2000 uma menção honrosa no prémio António Jacinto (Angola) pelo livro de poesia Actu Sanguíneu. Em 2005 o seu livro de contos E se amanhã o medo obteve os prémios Sagrada Esperança (Angola) e António Paulouro (Portugal).


As obras de Ondjaki encontram-se traduzidas nos seguintes países: Espanha, Itália, Suíça (Francês e Alemão), Uruguai.


O Assobiador (1.ª edição, 2002; 2.ª edição, 2002) «Uma Terra Sem Amos», n.º 124


Ynari. A Menina das Cinco Tranças (ilustração)(1.ª edição, 2004; 2.ª edição, 2006) «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 49 Com ilustrações a cores de Danuta Wojciechowska


Há Prendisajens com o Xão (1.ª edição, 2002; 2.ª edição, 2004) «Outras Margens», n.º 7


Bom Dia Camaradas (1.ª edição, 2003; 2.ª edição, 2007) «Outras Margens», n.º 10


Quantas Madrugadas Tem a Noite (1.ª edição, 2004; 2.ª edição, 2005) «Outras Margens», n.º 28


momentos de aqui (1.ª edição, 2001; 3.ª edição, 2007) «Outras Margens», n.º 32


E se Amanhã o Medo (1.ª edição, 2005; 2.ª edição, 2005) «Outras Margens», n.º 41 Prémio Literário Sagrada Esperança 2004 Prémio Literário António Paulouro 2004


Os da Minha Rua (1.ª edição, 2007) «Outras Margens», n.º 63



Actividade em artes plásticas


-> Participação na Exposição Colectiva de Jovens Pintores (Semana da Juventude 99, Lisboa)


-> Produção e realização da exposição de pintura "Do Inevitável" (espaço Cenárius, Dez99-Jan2000, Luanda)


-> Realização da Exposição "Pôr-do-Sonho" em Salvador da Bahia e Caxambu (Brasil, Novembro 2000), e em Luanda (Dezembro 2000)

04 noviembre 2007

Um escritor de Angola (1) - Lopito Feijoó

J.A.S. Lopito Feijoó nasceu no Lombe, província de Malanje a 29 de Setembro de 1963. Passou a infância em Maquela do Zombo e adolescência em Luanda, no bairrro do Cazenga. Fez os estudos primários, secundários e pré-unviversitários em Luanda. Na década de 80 foi co-fundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e realizou estudos de Direito na respectiva Faculdade da Universidade Agostinho Neto. Fez parte do elenco de direcção da Brigada Jovem de Literatura até 1984, data em que, com outros membros que pugnavam pela ruptura dos cânones do cantalutismo e pela busca de novas formas estéticas e semânticas para a Literatura Angolana, se constituíu o Grupo Literário OHANDANJI. Destaca-se na sua geração pela sua actividade de editor de publicações informais e plaquettes, além de boémio alimentador de polémicas, é activo frequentador de tertúlias, praticante da crítica e do ensaio nos anos 80. Mas é sobretudo com o texto poético que se firmou no panorama da poesia angolana, caracterzando-se, para além do experimentalismo, por uma certa iconolastia e erotização do vocabulário da poesia.Em 1985, é-lhe atribuída menção especial no Concurso literário do INALD pelo livro Entre o Ecran e o Esperma.
É membro da União dos Escritores Angolanos.
Publicou Doutrina (poesia, UEA,1987); Me Ditando, Rosa Cor de Rosa, Corpo-a-Corpo (plaquettes de poesia,1987); No Caminho Doloroso das Coisas-Antologia de Jovens Poetas Angolanos (UEA 1988); Cartas de Amor (UEA,poesia, 1990); Meditando (ensaio e crítica, 1994)

30 octubre 2007

Prémio Nacional de Cultura e Artes - ANGOLA


Foram vencedores da Edição 2007 do Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais alta atribuição do Estado angolano, os seguintes criadores e colectivos:

- Literatura - Ana Paula Tavares com a obra "Manual para amantes desesperados"

- Música: Elias dya Kimuezu, pela sua carreira - Teatro: Grupo "Horizonte Njinga Mbandi"

- Dança: Grupo "Bismas das Acácias", da província de Benguela

- Cinema e Audiovisuais: equipa do programa "Conversas de Quintal" da TPA

- Artes Plásticas: Ruy de Matos (a título póstumo)

- Investigação em Ciências Sociais e Humanas: António Fernandes da Costa, com a obra "Rupturas estruturais do português e línguas bantu em Angola"


Ana Paula Tavares nasceu na Huíla, Sul de Angola, em 1952. É historiadora com o grau de Mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Em Angola publicou Ritos de Passagem (poemas), UEA, 1985. Em Cabo Verde, Praia, O Sangue da Buganvília em 1998. Na Editorial Caminho publica em 1999 O Lago da Lua (poemas), seguido de Dizes-me Coisas Amargas como os Frutos (poemas) em 2001 (obra galardoada com o Prémio Mário António de Poesia 2004 da Fundação Calouste Gulbenkian), em 2003 Ex-Votos (poemas) e em 2004 A Cabeça de Salomé (crónicas). Tem participação com poesia e prosa em várias antologias em Portugal, Brasil, França, Alemanha, Espanha. Publicou alguns ensaios sobre História de Angola.
Os prémios serão entregues no dia 9 de Novembro

24 octubre 2007

Visitando Ruacaná - Rio Cunene - ANGOLA




Obrigado pelo convite. Não 'postarei' em castellano mas sim em língua portuguesa que é a única que domino. Sempre que me for possivel falarei de Angola, o meu país.

in Pensar e Falar Angola